sábado, 27 de outubro de 2018

le désir

parto cesariano realizado com sucesso.

  quarto cheio de molduras quebradas,
            um idiota desce voando do telhado com suas asas negras e me pergunta

    o que estás fazendo, pobre amigo?

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

31 3 d000 et 17

26/10/18
 
2017: estou na aula de física mas não consigo manter a mente colada ao foco quando na verdade ela está em um loop infinito. Ela está em um carro. O carro está em ALTA VELOCIDADE e o som dos pneus rolando sobre a pista só aumenta. O pneu sou eu. O motorista é minha mente. O carro é todo o meu ser. A velocidade atingiu seu limite e em dois segundos o carro estilhaça propositalmente em um muro inquebrável e interminável. Todas as partículas do carro estão sobre a dimensão. Minha cabeça dói e estou morto. Está frio. A brisa fria infiltra-se por debaixo da minha pele e meus olhos soltam uma pequena fumaça. Minha boca colou. Ela diz que vai fazer a questão 8, e eu continuo escrevendo o que está acontecendo comigo e ninguém tem ideia de ideia alguma.
     Há um grito esquentando meu peito. Ela pergunta se pode começar. Sinto vontade de gritar. Microcoulombs. 10.96. 5 cm. Morto. Há também um vazio nos olhos de quem.

domingo, 30 de setembro de 2018

NA CARNE

"na carne" 7.6.17


“Levantei-me e fui ao banheiro. Me dava raiva olhar o espelho, mas olhei assim mesmo. Vi depressão e derrota. Bolsas escuras caídas sob os olhos. Olhinhos covardes, os olhos do rato acuado pelo puto do gato. A pele parecia que nem tentava. Que odiava fazer parte de mim. As sobrancelhas caíam retorcidas, pareciam dementes, dementes pêlos de sobrancelhas. Horrível. Uma aparência repugnante. E eu não estava nem querendo evacuar.”

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

carne viva/morta

"Autorretrato: carne viva/morta"

Peço-lhes que quando forem cometer o meu assassinato, o façam quando eu estiver caminhando tranquilo em um dia que transmita a sensação de vitória.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

uma noite que me arrancou, num sorriso, uns dentes para fora da minha boca e quase 10 contos de passagem

"eu sofrendo, dormia.", 07/09/17
peguei o ônibus, atrasado

"Boa tarde" disse o trocador enquanto eu lhe entregava
  
           o pouco dinheiro que eu tinha.

  moedas que ao todo davam 3,40 de passagem para ir, 
           3,40 para voltar. 

a passagem do metrô deve ser do mesmo preço. não lembro.

 3,50?

 deve ser mesmo.

         as cadeiras haviam sido trocadas.
         talvez até mesmo o cobrador tenha sido. acho que o vi uma vez.

         no entanto as pessoas continuam as mesmas de sempre.

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

entre quatro paredes de um quarto escuro


"maquillage", 7/9/18


ENTRE QUATRO PAREDES DE UM QUARTO ESCURO 

o tempo está levando minha mente embora.
as pessoas estão levando minha mente embora.
esse sentimento me puxa pela mão.

ela grita mas eu não consigo entender.

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Dead and Lovely

vermes Nº: 1, 10/9/18

She was a middle class girl
She was in over her head
She thought she would stand up in the deep end

sábado, 8 de setembro de 2018

La Violence/Violência



J'ai écrit un poème. J'ai mal écrit. Le poème n'était pas correct. Il n'y avait qu'une phrase. Il n'y avait pas de belles paroles. Il contenait des scènes. Scènes horribles.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

primeiro devaneio da madrugada

Portrait de Claus Mathieu(Moi) par Lucas Matheus, 7 / 9/ 18
     Quando ficamos por muito tempo em um quarto azul, investimos em solidão. E se há uma janela, só haverá dois tipos de luz: o sol e a lua.
     Um cinzeiro cheio; uma xícara suja de café frio; uma mesinha de madeira podre banhada de poemas corrosivos na superfície; um gato. A janta que você come agora tem um ovo de mosca na carne e você nem percebe porque não se importa. Espero mesmo que não se importe. 

terça-feira, 28 de agosto de 2018

O açúcar esconde formigas dentro de si


"Femme Fatale", acrílica sobre papel.
4/3/18
Esvaiu-se o tempo do amor, dos corações destroçados e das músicas românticas e utópicas. A realidade mostrou-se cruel ao entrar em seu corpo, sem mostrar apego. Entrou como quem entra numa limousine fumando numa piteira: 
"Para longe daqui, por favor"